Você veio grande.
Com mãos que engoliam as minhas.
Era tão alto que todo carro que entrava era pequeno.
E eu na minha pequenez,
fui tomada por inteira.
Me fez sua.
E quando te olhei no fundo dos olhos,
onde ninguém enxerga só sente,
você disse: No pé do morro.
O que?-perguntei incrédula.
Besteira minha achar que paixão e amor serão sempre os mesmos.
Esperava um "Casa comigo?" .
Pois acreditei que quando te olhei e não vi, você também tinha visto o não visto.
É,você veio grande.
Grande demais, até para os meus sonhos.
Querer a sua compreensão quando falava com a alma- sim ela fala.
A minha estava adomercida,minhas palavras,agora escritas, eram pensamentos,crises, tpm's...
Estavam enclausuradas dentro de mim, abafadas pelo cotidiano que eu supunha ser o cotidiano de uma paixão.
Foi preciso Chico,de olhos verdes,azuis,brasileiros,para poderem desabar.
Afinal, a verdadeira poesia desaba por dentro.(assim como o verdadeiro amor, que cresce cada vez mais quando penso em você)
Precisava falar aquela que um dia achou que fosse a sua segunda língua.
Sentir as palavras trememerem em sua boca e saírem em uma voz que só tinha com aquela língua.
Dizer eu te amo,quero colo,estou cansada,casa,rua, estrada...
Precisava falar.
Escutar não.
As histórias de amor deviam ter sempre um final feliz
Melhor o amor nunca deveria ter fim
Talvez ainda melhor, quem se ama não devia estar separado
Melhor,melhor , era não haver amores não correspondidos
E ainda melhor que melhor, era eu estar perto de você
De mãos coladas nas suas
De lábios selados nos seus
De olhos perdidos nos seus
De corpo enrolado no seu
De alma presa na sua
De pensamaento cruzado no seu
De respiração dependente da sua...
Nunca soube lidar muito bem com essa Senhora chamada Dor.
Culpa dos pais que ao menor indício de choro já me pegavam no colo e diziam que ia passar. Não sei. Talvez a culpa, se é que ela existe, é desse coração que veio com defeito, é torto, fraco, sente demais, não agüenta nenhum baque, desaba e depois demora a levantar.
Com pouca idade, estava na chamada pré-adolescência, eu senti aquela que achei que seria a maior Dor de toda a minha vida. Perdi um alguém tão especial que foi difícil demais até pra acreditar, o primeiro “Eu te Amo” veio dele e agora nunca mais escutaria isso. Cortei os cabelos, as blusas e calças, virei rebelde em menos de uma semana e só depois de anos pude encarar a vida de volta.
Passado o primeiro tombo, meu avô foi embora, aquele que tinha o melhor abraço do mundo, que me ensinou a tomar café com leite e que disse: Ô netinha,chora, chora tudo logo... - e me deitava em seu colo e fazia cafuné até eu parar. Foi a primeira vez que vi meu pai chorando. Achei que iria encarar de outra maneira, me fiz de forte durante o dia inteiro, mas não durou logo em seguida eu desabei de novo. Foi com esse baque que descobri que saudade não passa.
Agora, estou vivendo a dor de perder um amigo, que foi o primeiro a me receber bem na escola, que me dava presentinhos... E depois quando crescemos, foi ele que me ensinou o que era abraço de urso, que falava mal dos meus namoradinhos e sempre, sempre mesmo vinha com o maior sorriso do mundo. Passávamos tardes inteiras conversando, de coisas sérias a coisas banais, ele me pegava no colo, me jogava pro alto e nunca, nunquinha me deixou cair.
Por mais que estivesse distante dele nos últimos tempos, o choque foi imenso, ouso dizer que me sinto um pouco quebrada, perdida, é como se tivessem tirado de mim uma parte imensa da minha infância, adolescência... Só agora, consigo perceber que tirar, ninguém pode, porém lembrarei-me deles sem poder contar com o outro lado.
O Lucas José Caetano Vianna, o Lukete, ou simplesmente o Lucas, vai fazer a maior falta, mas acho que Deus o chamou por que estava precisando do sorriso que só ele consegue dar.
Vai na Luz Amigo,você merece.
Ela nunca equeceu do seu jeito, não se lembrava do primeiro beijo e até mesmo do primeiro encontro,mas o jeito ficou.Algo como aquele filme que você viu e nunca mais esqueceu.
Lembrava-se do dia em que foram ao cinema,mas não se lembrava do filme,podia sentir ainda aquele friozinho na barriga toda vez que se lembrava disso,como quando alguém te abraça e te dá aquela sensação de confiança total.
Até que se lembrou do dia em que se apaixonou por ele,ele estava tão vulnerável,tão apaixonado, e foi assim,quando o viu com aquele olhar brilhante por ela.Naquele momento,os dois estavam numa mesa de bar,ela querendo ir embora,mas não conseguindo, a hora passando, os dois conversando e nada de pedir a conta.
E percebeu as mãos dele em seus cabelos,uma intimidade que não quis mais perder a partir daquele exato momento.Foi quando sentiu sua perna tremer, borboletas no estômago e decidiu: Vou embora.Fugir, sempre fugia ao menor sinal de paixão aguda.
Ele não deixou.
Logo em seguida ela se entregou.
Desde então ela soube o que era viver um grande amor.
Uma tatuagem.
Foi isso que me chamou a atenção.
Era uma daquelas grandes,cobria seu braço por inteiro e parte do ombro.
Foi por isso que olhei.
Será?
